É só mais um mês
de julho. Típico mês... Época de frio, com dias cinzas e nublados. Estou
trancada em meu quarto. Papel e lápis na mão, tentando escrever e colorir uma
vida que já não tem mais cor. Que já se apagou.
Os ventos estão
soando na janela, mas o silêncio faz morada. Tantos planos e promessas que
saíram pela porta que, hoje, está trancada. O vazio e a solidão são as minhas
companhias, nessa tarde vazia, tomando um café amargo. As cortinas entreabertas
balançando, me convidando para ir até ela... Da janela, posso observar a
multidão, ver as pessoas indo e vindo, nesse vai e vem da vida. Lutando,
batalhando ou, quem sabe, se libertando.
Uns com suas
jaquetas de couro, outros com seus moletons coloridos, cheio de vida e tão
quentinhos. O casal está de mãos dadas passeando, conversando e se divertindo.
A criança sorrindo, segurando a mão de seus pais... Pedindo, por favor, me
deixa brincar mais?
Mas também há o
trânsito caótico, a fumaça dos carros e as indústrias soltando veneno pelo ar.
O homem, de cara fechada, voltando para a casa depois de um dia no trabalho,
contando os segundos para poder descansar.
Vidas normais de
pessoas normais. Qual será a história delas? O que será que já enfrentaram? O
que será que guardam por trás da janela de seu quarto...
A vida aqui, do
lado de dentro, é tão escura e vazia. É perturbadora. Já não ouço mais o canto
dos pássaros e o verde das árvores foi apagado. Tudo o que mais amava, de mim,
foi arrancado. Eu tô tentando não desistir. Eu juro que tô tentando ser firme e
seguir em frente. Enfrentar. Mas as lembranças vêm e a saudade aperta. Afinal,
qual a lição disso tudo? Quando é que isso vai passar?
E a tarde que
estava vazia, dá espaço para a noite surgir. Observo a lua e as estrelas.
Sorrio. E me despeço de mais um dia. Vou me trancar na escuridão. Quem sabe
amanhã o dia nasce colorido, me pinta e me transforma em minha melhor versão. E
a vida, quem sabe um dia, volte a ter cor. E o mundo, talvez, não seja tão
injusto, com tanta dor... Talvez, um dia, ele emita mais amor.
Quem sabe amanhã,
eu seja só mais um no meio da multidão.
#pelajanela #rabiscosimaginados

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