Fonte: Google Imagens
Era pra ser só mais um domingo tedioso, desses típicos de inverno.
Era mês de julho e fazia um frio tremendo, arrisco dizer que a temperatura
estava caindo perto do zero. Levantei da cama pra procurar algo pra comer,
mas esse dia pedia por um brigadeiro e filmes em baixo das cobertas.
Antes de procurar algum filme bom, dei aquela checada nas redes
sociais. O facebook estava colorido demais pra minha vida preta e branca, então
logo saí. O twitter falava bastante de futebol e esportes radicais, o que
por enquanto, eu queria distância. Os grupos do whatsapp estavam bombando
e eu perdida como sempre... Afinal, como meus “amigos” encontram tanto
assunto assim? Não sei se estou ficando velha, mas já não tenho mais
aquela sensação de obrigatoriedade em me socializar com as pessoas.
De repente, aquele dia que estava frio e cinza, se tornou quente e
vermelho perto do que eu senti quando nossa música tocou. Eu digo nossa
música, mas na verdade é só minha, talvez você nem a conheça (não faz seu
estilo musical), mas toda vez que eu a escutava, eu pensava em você. Era
inevitável. E hoje, depois de aproximadamente dois meses, e
digo aproximadamente pra não dizer 42 dias, só pra não parecer que eu
conto sim os dias, desde que você decidiu terminar o relacionamento que
tínhamos. Era domingo também, mas quem se importa? Eu fui trabalhar com
olheiras no dia seguinte, mas quem perguntou? Os colegas de trabalho
perguntaram e eu disfarcei dizendo que passei mal a noite toda com dor de
cabeça. Eles não acreditaram, mas também não insistiram em querer saber o que
realmente se passava.
Sabe, a gente chora.... chora tanto pelo sentimento que morre. Ou,
melhor dizendo, que somos obrigados a matar. A gente chora pela perda...
Pelas saudades... Pelas memórias que ficam de quem não ficou. E a gente
chora, chora muito quando se deixa cativar - já dizia o Pequeno Príncipe.
Dia após dia, começamos aceitar a nossa “derrota” e passamos a
entender que não podemos obrigar as pessoas à ficarem conosco. A gente
recomeça - aos poucos. O choro vai diminuindo, enquanto a saudade continua
aumentando, mas conseguimos trancá-la num lugarzinho que vez ou outra
insiste em escapar. Como aconteceu hoje. Por uma simples música, ou talvez
pelo conjunto de coisas, eu lembrei de você, lembrei de nós.
Criei cenas e conversas na minha cabeça, mas a realidade dava umas
cutucadas e eu percebia que estava em um universo paralelo. Lágrimas
pesaram meus olhos e foi impossível segurá-las, quem dirá controlá-las.
Chorei. Chorei de saudades. Senti tanto a sua falta que pensei em te
ligar. Mas ligar pra quê? Não havia mais sentido. Estava acabando a música,
era hora de colocar o replay – novamente – e imaginar você.
Diversas cenas. Lá estava eu de novo no universo paralelo.
Então, resolvi tirar os fones e colocar a música no máximo.
Me olhei no espelho, olhei no fundo dos meus olhos e finalmente compreendi que
não valia mais a pena, que era chego a hora de limpar o rosto e seguir com a
vida. Até a música tocar de novo...
#rabiscosimaginados #meumundonofundo

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