Você pode ler ao som de: Whole Lot of Leaving - Bon Jovi.

Fonte: Google Imagens


Eram exatas 15h da tarde quando ela jogou as roupas por cima da mala cor de rosa - a mesma que ela fez questão de comprar em nossa última viagem ao Rio - virou-se para mim e disse: desculpa, mas acabou. É. Ela se foi.
“Desculpa, mas acabou"? Quando foi que acabou que eu ainda sinto aqui? Essas palavras ecoaram em meu peito e foi como se uma faca cortasse cada centímetro dos meus órgãos aqui dentro, talvez pior que isso.
Um turbilhão de pensamentos invadiu minha mente, tentando achar qualquer vestígio que me fizesse entender o porquê, mas não havia nada... Ela simplesmente se foi.
Já não me lembro quando foi que eu a deixei invadir meu espaço e abri mão do lado da parede da cama só porque ela se sentia segura lá. Já não lembro quantos risos ela trouxe para a minha vida tosca ou quantos olhares disseram tudo, mesmo não proferindo uma palavra da boca dela. Sei que ela me mudou. Ela trouxe paz, onde só havia caos. 
Eu nunca vou me esquecer da forma que ela jogava seus cabelos, quando o vento o trazia em seu rosto. A forma como ela me olhava quando estava brava com algo e eu insistia em fazê-la rir. Os filmes que assistíamos juntos e de como ela tirava sarro de mim por ser tão melancólico. Aquele bolo de laranja que queimou enquanto eu me perdia nas horas a observando em meu lado, eu insisti em dizer que era de chocolate, mas o gosto amargo negava.
Eu sei, a vida é feita de amores, mas existem alguns, raros, que se tornam especiais e que a gente nunca acha que vai acabar até que, pronto, acaba. Ela era esse tipo de amor que eu queria ter por perto e tive. Só não esperava perder. Sei também que esse corte aqui dentro vai cicatrizar, com o tempo, as lágrimas vão secar e alguém especial vai aparecer. Sempre aparece. Mas, por enquanto, está machucando. 
Faz duas horas que ela se foi e, juro, está parecendo uma eternidade. Está difícil olhar para parede - roxa - que ela insistiu em pintar e não lembrar de tudo o que vivemos. Fazia tempo que essa casa não abrigava tanto silêncio. Não tive tempo para despedidas, nem pude sentir o calor dela pela última vez.
É. Ela se foi. Deixou muito mais do que levou. E agora é hora de aceitar e aprender a viver com a sua ausência. Dói, mas passa. Só espero que ela saiba muito bem o que fez, para não voltar atrás. Porque, querida, não tenho intenção alguma de mexer com ferida cicatrizada.