Fonte: Google Imagens
Era manhã e a música “Every
breath you take” da banda The Police estava tocando bem lá no fundo... Era o toque
do celular me despertando para mais um dia. Quinta-feira, 18 de setembro de
2003, era para ser só mais um dia qualquer, mas não foi.
Levantei, vesti meu shorts de
corrida, coloquei a primeira camiseta que surgiu pela frente e amarrei bem
forte o tênis. Seis da manhã e o sol começava a surgir na linha do horizonte entre
o mar. Fiz um percurso de 12km correndo, é, deu para soar um pouco dentro de
uma hora, quando voltei, tomei banho, um café amargo e me arrumei para o
trabalho.
O trânsito estava um caos,
como sempre, buzina de um lado, xingos do outro... E estresse para dar e
vender. Cheguei no trabalho com plena consciência que precisaria terminar, ou
melhor dizendo, começar uma história até o dia seguinte. Pois é, logo eu, um
escritor profissional há cinco anos, estava completamente sem ideias do que
escrever. A redação ia para a coluna da revista final de semana e se eu
quisesse ainda ter um emprego, precisaria colocar minha criatividade em
prática, o que nunca foi problema, exceto pelo tema que, dessa vez, pela
primeira vez, precisaria escrever sobre “o
amor”. É, o amor, aquele sentimento que não fazia sentido algum para mim,
eu não fazia ideia do que era!
Peguei meu caderno e tentei
escrever, rabisquei várias e várias vezes, mas não dava, definitivamente não
dava. Coloquei um som calmo para tocar no notebook e fechei os olhos, tentando
imaginar um casal e uma história para eles, mas mais uma vez, não deu. Nada.
Tudo vazio.
Fechei minha sala e saí mais
cedo, fui pra casa e, logo após, resolvi caminhar pela praia, isso sempre me
ajudou a buscar inspiração. Passei a reparar em todos os casais que passavam
por ali e imaginei quantas histórias eles já viveram, quantos sorrisos e
abraços foram dados..., mas, ao abrir meu caderno, não conseguia escrever nada.
Resolvi sentar em um banco, balançando os pés na areia, fechei meus olhos e
fiquei sentindo a brisa.
De repente, senti uma presença
ao meu lado e, quando olhei, ela deu uma gargalhada. Fixei meus olhos no dela e
perguntei se havia algum palhaço ali. Ela deu de ombros e disse que fazia um
tempinho que estava ao meu lado e eu nem tinha reparado. Ela se chamava Marina e tinha
um riso fácil. Contei a ela sobre meu trabalho e do porquê estar ali e ela, sem
pensar duas vezes, foi logo dizendo que tinha certeza que eu conseguiria
escrever essa tal história de amor dentro do prazo, afinal, eu era um cara bacana que gostava de balançar os
pés na areia. Logo ela foi embora, mas antes de sair deixou um bilhete e me
deu um abraço apertado, tão apertado que me preencheu todo.
Fui embora e, ao me deitar na
cama, reli pela décima vez seu bilhete que dizia: “o amor só precisa ser
sentido e não fazer sentido”. É uma frase clichê, eu sei, mas fiquei me perguntando como ela sabia que eu
estava buscando conhecer esse tal sentimento, afinal, ela escreveu quando eu
ainda nem havia notado sua presença. Peguei meu caderno e comecei a escrever,
de forma simples e fácil e, ao fechar meus olhos, sorri, pois finalmente havia
compreendido sobre o amor, graças à um abraço de uma menina de 6 anos, chamada
Marina que, com seus olhos inocentes, percebeu o que se passava comigo.
Obrigado, Marina. Esse texto é pra você. Eu escrevi sobre você.


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